MANTELLI, F. E. A. Segurança em Instalações Elétricas Provisórias em Canteiros de Obras.
152 f. Dissertação (Mestrado em Construção Civil). Universidade Federal de São Carlos. São
Carlos, 2007
RESUMO
As instalações elétricas provisórias em canteiros de obras ocorrem em pequenos, médios e grandes empreendimentos e muitas vezes, por serem de natureza temporária, são executadas de forma precária e insegura. A eletricidade, fonte de perigo potencial mesmo em baixa tensão, é responsável por parte significativa dos acidentes de trabalho, sendo que estes ocorrem diretamente por meio dos choques elétricos e queimaduras devidas a arcos voltaicos ou indiretamente, por meio de lesões causadas por máquinas, equipamentos, componentes elétricos, ou quedas, requerendo, portanto, atenção especial para que se previnam acidentes, muitas vezes, fatais. Através de estudo de caso pretende-se avaliar a segurança das instalações elétricas provisórias de um canteiro de obras verificando as condições de atendimento às prescrições da NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.
Identificação dos perigos.Na fase de identificação dos perigos é importante a participação de todos os integrantes da
equipe de trabalho no sentido de identificar possíveis situações perigosas. A seguir, alguns
dos principais perigos de natureza elétrica a serem prontamente identificados.
Fiação inadequada.Um condutor (fio ou cabo) com capacidade de condução de corrente, definida pela sua seção
transversal, menor que a corrente elétrica eventual que circula pelo circuito, pode sofrer
aquecimento excessivo e danos em sua isolação, podendo resultar em um incêndio. Quando da
utilização de um cabo de extensão, a capacidade de condução de corrente do mesmo pode ser
pequena em relação à demanda de corrente requerida pelo equipamento ou ferramenta utilizada. O dispositivo de proteção do circuito, um disjuntor, por exemplo, normalmente é dimensionado para proteger o circuito principal e não atuará, ainda que o cabo de extensão sofra um aquecimento excessivo.
Tipo de metal.O tipo de metal utilizado como condutor pode ser também uma fonte de perigo requerendo atenção especial. O alumínio, por exemplo, menos dúctil e mais quebradiço que o cobre, rompe-se mais facilmente. As conexões em alumínio tendem a se tornar folgadas e se oxidar se não forem corretamente executadas.
Condutores e componentes elétricos ou eletrônicos expostos.Se uma tampa ou a blindagem de proteção de uma máquina ou quadro elétrico forem removidos,
seus condutores e componentes elétricos e eletrônicos internos podem ficar expostos. Condutores
elétricos podem também estar expostos nas entradas e linhas aéreas de energia, nos terminais de motores e nos equipamentos elétricos e eletrônicos em geral.
A figura mostra condutores e contatos energizados expostos.
Linhas aéreas de energia.As linhas aéreas de energia geralmente não são isoladas, fato não percebido pela maioria das
pessoas, e representam grande perigo de contato direto aos trabalhadores, sendo responsáveis por mais da metade das eletrocussões. No passado, 80% das mortes dos trabalhadores em linhas de energia foram causadas por contato direto com a linha viva (energizada) e a mão desprotegida. Historicamente, as eletrocussões são responsáveis por 20% das fatalidades na ICC canadense sendo a totalidade das mesmas resultantes de contatos com linhas aéreas de energia. Atualmente, com a evolução dos EPI, e o desenvolvimento de luvas especiais de borracha que protegem o trabalhador até uma tensão de 34.500 volts, a maioria de eletrocussões envolvendo linhas aéreas são causados por falhas em se manter distâncias apropriadas na execução do trabalho (Elcosh, 2000). Equipamentos como guindastes, gruas, bombas lançadoras de concreto, caminhões basculantes, andaimes metálicos e plataformas elevatórias de trabalho requerem atenção especial quando de sua operação. Para que contatos diretos não ocorram devem-se prever barreiras físicas e observar as distâncias mínimas de segurança das linhas aéreas. Deve-se evitar também armazenar materiais e equipamentos próximos ou sob as linhas aéreas de energia.
As Figuras focalizam, respectivamente, contatos diretos de um caminhão basculante e uma plataforma de trabalho elevatória, com linhas aéreas de energia.

Isolação deficiente.A isolação é normalmente composta de um material, plástico ou borracha, que não conduz bem a
eletricidade e impede que os condutores venham a entrar em contato entre si ou com as pessoas. A falha da isolação ou a isolação defeituosa ou inadequada constituem perigos elétricos e quando
ocorrem, partes expostas metálicas de uma máquina ou ferramenta podem ficar energizadas se um condutor vivo entrar em contato com elas. Ferramentas elétricas manuais velhas, danificadas ou mal utilizadas podem ter sua isolação interna danificada, o que poderá provocar um choque elétrico principalmente se a ferramenta não estiver aterrada, devendo-se, portanto sempre dar preferência a ferramentas novas, duplamente-isoladas e sem partes metálicas expostas.
As figuras apresentam respectivamente isolação deficiente e condutores expostos.