Tuesday, October 19, 2010

O Poder da Escrita

Agora que eu estou fazendo um curso de "qualidade" em que um dos temas é Produção Textual, resolvi refletir um pouco sobre o poder da escrita. Aqui, tentarei aplicar todos os conhecimentos adquiridos quanto as regras gramaticais e elaborar, com estilo, um texto como exercício. Imediatamente, já percebi que não vai ser tão fácil assim. Preciso saber de antemão para quem estou escrevendo. (Vou ler um pouco mais).

Cola:
Preocupações básicas do redator:
Identificar o(s) receptor(es) do texto.
Pensar claramente.
Raciocinar linearmente, sem labirintos.
Transmitir informações, de modo lógico.
Manifestar as relações entre os fatos, com evidência.
Refletir sobre o que vai escrever.
Como vai transmitir?
Qual o nível de linguagem a ser utilizado?
Qual a função da linguagem mais adequada?

Outra cola:
O português é de origem latina e, por isso, pertence ao grupo das línguas neolatinas ou românicas, do qual fazem parte também o espanhol, o catalão, o francês, o provençal, o italiano, o romeno, o rético, o sardo e o dalmático.
Leia o texto Papos, de Luís Fernando Veríssimo, refletindo sobre as normas gramaticais.

PAPOS

- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
- Eu falo como quero. E te digo mais...Ou é “digo-te”?
- O quê? - Digo-te que você...
- O “te” e o “você” não combinam.
- Lhe digo?
- Também não? O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Partir-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Eu só estava querendo...
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderam-me?
- No caso...não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo esse papo, esqueci-lo.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001).

A linguagem oral é adquirida naturalmente, na comunidade de entorno, sem maiores sistematizações. Ela é, portanto, apreendida.
Já a linguagem escrita demanda um aprendizado sistemático, um conhecimento das regras e padrões da norma culta, uma rigidez formal e um sentido claro dentro dos princípios da coerência e da coesão.

Poema de Carlos Drummond de Andrade: (O texto é a exteriorização do sentimento que inunda a alma. Os sentimentos e as ideias precedem a produção do texto oral ou escrito).
Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo.
Ele está cá dentro e não quer sair.
Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira.


ANDRADE, Carlos Drummond de.Reunião – 10 livros de poesia. 10. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1980. p. 16.

Pensemos um pouquinho! Será que é a Língua Portuguesa que é difícil, inatingível? É a gramática que nos aprisiona com suas regras - redes tão emaranhadas, distanciando-nos da linguagem coloquial? É o domínio do universo das letras, conferido a poucos, que nos causa inibição?
Será que é a televisão, ou a maldita mania de ficar preso à ela, que dificulta a nossa expressão escrita? Por que não ler um bom livro? Por que não usar nossa fantástica imaginação na criação dos personagens e na recriação da história, do ambiente e do tempo que os romances nos proporcionam? Como refletir, interpretar informações, ler o mundo, se o uso da linguagem é tão sofrido e se não comandamos mais a nossa vontade?
Para realizarmos bem a nossa língua, para sermos bem entendidos, para entendermos os outros, é necessário que emissor e receptor realizem o mesmo código; que ambos estejam motivados para a comunicação; que o universo vocabular seja comum entre eles; que a mensagem seja do interesse dos dois; que haja um conhecimento mínimo da estrutura do nosso idioma e dos fatos linguísticos.
Já afirmamos anteriormente que é pela posse e uso da linguagem que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido. Assim, as crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, desenvolvem, consideravelmente, o raciocínio. Esse fato não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas, também, da circunstância de que o indivíduo dispõe, agora, da língua materna, a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental.
Texto A Cidadania e a Língua Brasileira, de Thereza Cristina Guerra, que nos revela a responsabilidade do cidadão com o idioma:


A CIDADANIA E A LÍNGUA BRASILEIRA
Qual a relação entre falar, escrever e a cidadania? Qual é a imagem que desejamos projetar ao escrevermos ou falarmos corretamente? Não é melhor sabermos o inglês ou o espanhol? Ser poliglota da própria língua parece que não interessa.
Devemos cultivar nossa língua como cultivamos nossos costumes, nossos gostos e nossa cultura. Escolher palavras simples para construir textos claros e coerentes é o caminho para a cidadania. Por que escrever difícil, com vocabulário técnico, exigindo esforços demasiados para se entender uma
pequena frase?
A língua deve ser brasileira, no sentido de refletir e buscar soluções para os problemas mais urgentes do País. Língua brasileira porque se funde às raízes da nossa própria realidade.
Estamos falando um dialeto cheio de expressões em inglês que só demonstra um futuro incerto pela frente. Ser cidadão em termos de linguagem é respeitá-la não só em sua gramática, mas também em seu modo brasilis. É cultivá-la, como patrimônio histórico e cultural. Utópico, talvez. Não importa. O que importa é ressaltar que ela está esquecida, maltratada, desprezada por políticos, profissionais de comunicação e pessoas públicas, de reconhecida influência nas atitudes da população, como artistas e jogadores de futebol.
Repetimos o que aprendemos, no dia a dia, sem, ao menos, analisarmos a razão desta ou daquela expressão. Pensamos em nosso vocabulário. O que pretendemos com ele? Quem vamos atingir? Passamos arrogância, saber, conhecimento, alegria e amor por meio da fala. Passamos poder, preconceito, manipulação com a palavra. Resgatar o que é a essência brasileira deve ser a meta de todo cidadão deste País.
Escrever bem é praticar a cidadania. E não é escrever difícil, cheio de frases de filósofos ou poetas. Não é complicar, usando termos da economia, informática ou administração. Ser simples é respeitar o receptor, é ir direto ao ponto, mostrar a verdade, com transparência e sem camuflagem. É ser coerente, preciso e claro. É dar ao povo as palavras que ele precisa saber para se defender, reivindicar e crescer nos aspectos éticos e morais.
O que é o cidadão-do-idioma? É aquele que preserva a língua de tal forma que possa construir um país forte, sadio e próspero.
Uma república das letras, cheia de seres conscientes, educados para o domínio da língua brasileira, precisa ser a meta almejada por todos que desejam cultivar, de fato, a cidadania.
(Thereza Cristina Guerra. A TARDE. 30/04/2002.)

Sunday, April 4, 2010

TIRISTOR (SCR)

TIRISTOR (SCR)

referente a:

"TIRISTOR (SCR)"
- Tiristores (ver no Google Sidewiki)